O estudo “5 tendências IBM 2026: Capture fleeting opportunities with confidence”, do IBM Institute for Business Value (IBV), traz um recado claro para os líderes empresariais: a próxima vantagem competitiva virá de quem conseguir combinar IA agêntica, soberania de IA, velocidade e confiança em um novo modelo operacional.
Longe de ser apenas mais um relatório de tendências, o estudo se baseia em entrevistas com mais de 1.000 executivos C-level e 8.500 consumidores e colaboradores ao redor do mundo, incluindo o Brasil, oferecendo um retrato concreto de como as organizações estão se preparando para 2026.
No contexto brasileiro, os números são ainda mais contundentes: 75% dos executivos esperam que agentes de IA estejam operando de forma independente até o final de 2026, integrados a processos críticos de negócio. Além disso, 82% afirmam que perderão vantagem competitiva se não conseguirem operar em tempo real, e 95% acreditam que a confiança dos clientes na sua IA será determinante para o sucesso de novos produtos e serviços.
Este artigo em formato de blog aprofunda os principais insights do estudo da IBM, mostra o que realmente está por trás das cinco tendências, e traduz esses conceitos em implicações práticas para empresas que querem se manter competitivas até (e depois de) 2026.
As 5 tendências centrais da IBM para 2026
Embora o foco deste texto esteja em IA agêntica, soberania de IA, velocidade e confiança, vale entender rapidamente o conjunto das cinco tendências apontadas pela IBM para 2026.
Segundo o IBM Institute for Business Value, as cinco macrotendências que devem guiar a estratégia empresarial até 2026 são:
- Empresas usarão IA agêntica para transformar incerteza em oportunidade.
- Colaboradores serão mais abertos à IA do que a maioria dos líderes imagina.
- Clientes vão exigir transparência e confiança radical nos sistemas de IA.
- Resiliência global de IA exigirá um “safety net” local – ou seja, soberania de IA.
- Vantagem em computação quântica dependerá de colaboração em ecossistemas.
Na prática, essas tendências se convergem em um ponto: empresas que conseguirem orquestrar agentes de IA autônomos, em ambientes soberanos, com governança robusta e alta velocidade de decisão, sairão na frente.
O que é IA agêntica – e por que ela muda o jogo
IA agêntica (ou agentic AI) não é apenas “IA mais avançada”; é um novo paradigma em que sistemas de IA atuam como agentes autônomos, capazes de perceber o contexto, tomar decisões, executar ações e adaptar seu comportamento com base em feedback contínuo.
Em vez de simplesmente responder a prompts ou executar tarefas pontuais, agentes de IA:
- Monitoram sinais em tempo real (mercado, operações, clientes, risco).
- Tomam decisões com base em objetivos pré-definidos.
- Orquestram outros sistemas, APIs e fluxos de trabalho.
- Aprendem com os resultados e ajustam suas estratégias.
Estudos recentes da própria IBM mostram que executivos esperam um salto agressivo no uso de fluxos de trabalho habilitados por IA: de cerca de 3% hoje para 25% até o fim de 2025, impulsionados justamente por agentes de IA mais autônomos. Mais de 70% dos executivos entrevistados consideram a IA agêntica importante para o futuro de suas organizações, e mais de dois terços veem “melhora na tomada de decisão” como o principal benefício.
O dado-chave: 75% dos executivos esperam agentes de IA operando de forma independente até 2026
No recorte brasileiro do estudo “5 Tendências para 2026”, a expectativa em relação à autonomia da IA é ainda mais forte.
Alguns números que merecem destaque:
- 75% dos executivos brasileiros esperam que agentes de IA estejam operando de forma independente até o final de 2026.
- 65% afirmam que esses agentes já estão ajudando a tomar decisões melhores e mais rápidas e a realocar recursos em meio à disrupção.
- Executivos que acreditam que IA agêntica melhora decisões são mais do que duas vezes mais propensos a enxergar oportunidades em um ambiente volátil.
Isso significa que, em um horizonte de menos de dois anos, a norma – e não a exceção – será ter agentes de IA atuando no coração dos processos de negócio: supply chain, pricing, crédito, atendimento, operações internas, planejamento de demanda e muito mais.
Para empresas que ainda tratam IA como “projeto piloto” ou apenas como copiloto de produtividade individual, o recado é claro: é preciso acelerar a transição de IA assistiva para IA agêntica.
Soberania de IA: controlar o sistema, não só o dado
Outra ideia central do estudo da IBM é a de soberania de IA – conceito que vai além da já conhecida discussão sobre residência de dados.
De forma simplificada, soberania de IA significa a capacidade de uma organização controlar, governar e provar como seus sistemas de IA operam, onde rodam, quais dados utilizam e quem tem autoridade sobre eles.
Isso envolve:
- Soberania de dados: onde os dados são armazenados, processados e replicados.
- Soberania operacional: quem controla o ambiente, quem pode desligar, modificar ou auditar o sistema.
- Soberania tecnológica: possibilidade de mudar de provedor, migrar workloads e evitar lock-in extremo.
- Soberania regulatória: capacidade de demonstrar conformidade a reguladores e auditores em diferentes jurisdições.
Em janeiro de 2026, a IBM lançou o IBM Sovereign Core, uma plataforma de software pensada exatamente para permitir que organizações e governos implementem ambientes “AI-ready” com requisitos de soberania embutidos – combinando abertura, compliance e autonomia operacional.
O movimento reflete uma pressão real de mercado: empresas enfrentam novas regulações (como o EU AI Act), multas, risco de interrupção de acesso a modelos e infraestruturas críticas por motivos geopolíticos, e crises de reputação ligadas à forma como seus modelos processam dados sensíveis.
Pesquisas recentes indicam que mais de 90% dos executivos já consideram soberania de IA algo “mission-critical” para sua estratégia, percentual que praticamente dobrou em relação a 2024.
Velocidade: vantagem competitiva em tempo real
Se IA agêntica é o “motor”, e soberania de IA é o “chassi” que garante segurança e controle, velocidade é o diferencial competitivo que separa quem captura oportunidades de quem apenas reage.
O estudo da IBM mostra que a maioria dos executivos sente que existe menos tempo para identificar e capturar oportunidades em meio à volatilidade econômica e geopolítica.
No Brasil, 82% dos líderes afirmam que perderão vantagem competitiva se não conseguirem operar em tempo real – isto é, se não forem capazes de detectar sinais, tomar decisões e implementar ações com rapidez.
IA agêntica entra exatamente aqui: ao monitorar múltiplos sinais simultaneamente, modelar cenários em tempo real e executar ações automatizadas, agentes de IA ajudam a reduzir o gap entre “perceber” e “agir”.
Em vez de ciclos de decisão de semanas ou meses, empresas passam a operar em ciclos de horas ou minutos em áreas como precificação dinâmica, detecção de fraude, gestão de risco de crédito ou ajuste de rotas logísticas.
Confiança: o novo filtro para adoção de IA
Por mais avançada que seja a tecnologia, sem confiança não há escala – especialmente em IA aplicada a decisões críticas e experiências de cliente.
O estudo da IBM enfatiza que, até 2026, a confiança do consumidor nos sistemas de IA será um fator decisivo para o sucesso de novos produtos e serviços.
No Brasil, 95% dos executivos entrevistados acreditam que a confiança dos clientes na IA da organização definirá se suas inovações terão ou não tração no mercado.
Essa confiança depende de alguns pilares principais:
- Transparência: explicar de forma compreensível como o sistema chega a determinadas decisões (explicabilidade).
- Eqüidade e ausência de vieses indevidos: evitar discriminação injusta em decisões de crédito, seleção de talentos, preços etc.
- Segurança e privacidade: proteger dados sensíveis contra vazamentos e usos indevidos.
- Responsabilidade: definir claramente quem responde por decisões e danos causados por sistemas de IA.
Especialistas da IBM apontam que reguladores e consumidores já exigem que agentes de IA “mostrem o seu trabalho” – ou seja, sejam capazes de apresentar trilhas de auditoria compreensíveis até mesmo para saídas complexas.
Isso reforça a ligação direta entre soberania de IA e confiança: não basta que o modelo seja preciso; é preciso provar que ele é governado de forma correta e consistente.
Como as 5 tendências se conectam na prática
As cinco tendências descritas pela IBM não são caixas isoladas, mas peças de um mesmo quebra-cabeça estratégico.
- IA agêntica permite que empresas ajam com rapidez e inteligência em ambientes incertos.
- Maior abertura dos colaboradores à IA cria terreno fértil para adoção em larga escala, desde que acompanhada de capacitação e redesign de funções.
- Clientes mais exigentes em relação à transparência pressionam por modelos mais explicáveis e auditáveis.
- Soberania de IA garante resiliência global com segurança jurídica e operacional, mesmo em cenários de ruptura geopolítica.
- Colaboração em ecossistemas (incluindo em computação quântica) permitirá que empresas acessem capacidades que não conseguiriam desenvolver sozinhas.
Quando orquestradas, essas tendências apontam para um modelo em que empresas:
- Operam com múltiplos agentes de IA especializados, coordenados entre si.
- Rodam esses agentes em ambientes arquitetados para soberania e compliance.
- Entregam experiências em tempo real, mas com trilhas de governança e explicabilidade.
- Conectam-se a parceiros, plataformas e ecossistemas para ampliar sua capacidade de inovação.
Exemplos concretos de uso de IA agêntica até 2026
Para tirar o conceito do abstrato, vale imaginar alguns casos de uso típicos de IA agêntica em empresas que querem estar à frente em 2026.
- Supply chain adaptativo: agentes monitoram dados de demanda, ruptura de fornecedores, custos logísticos e eventos geopolíticos, acionando automaticamente novos fornecedores, recalculando rotas de transporte e ajustando estoques regionais em tempo quase real.
- Gestão dinâmica de risco de crédito: agentes analisam sinais de risco em portfólios de clientes, atualizam limites de crédito, revisam condições de pagamento e sinalizam casos para intervenção humana quando necessário.
- Atendimento ao cliente orientado a resultados: em vez de simples chatbots, agentes de IA assumem jornadas completas – desde a triagem até renegociação de contratos, upgrade de planos ou resolução de problemas – com supervisão humana focada apenas em exceções.
- Operações internas “self-healing”: agentes monitoram indicadores de performance de sistemas internos e processos, detectam gargalos e aplicam correções automáticas ou sugeridas (por exemplo, escalar recursos de nuvem, reatribuir tarefas ou acionar equipes específicas).
- Planejamento de receita orientado por IA: agentes combinam dados de mercado, histórico de vendas, campanhas, capacidade operacional e tendências macroeconômicas para propor cenários de previsão e planos de ação táticos.
Esses exemplos ilustram o tipo de autonomia que muitos executivos já esperam ver na prática até o final de 2026, conforme relatado nos estudos da IBM.
Desafios para chegar lá: não é só tecnologia
Apesar do otimismo dos executivos, a própria IBM ressalta que ainda existem obstáculos significativos para escalar IA agêntica e construir soberania de IA.
Entre os principais desafios apontados em estudos recentes estão:
- Qualidade e integração de dados: quase metade dos executivos cita dados fragmentados ou de baixa qualidade como barreira para extrair valor de IA.
- Confiança e governança: mais de 40% mencionam preocupações com confiança, auditabilidade e riscos reputacionais.
- Escassez de talentos: cerca de 42% apontam a falta de profissionais qualificados em IA, dados e segurança como um gargalo crítico.
- Cultura organizacional: muitas empresas ainda tratam IA como “experimento” em vez de parte da estratégia central de negócio.
Isso exige uma abordagem que vá além de “comprar tecnologia” e envolva:
- Redesenho de processos pensando em automação orquestrada por agentes.
- Criação de estruturas de governança de dados e modelos (comitês, políticas, KPIs).
- Programas de upskilling e reskilling para times de negócio e tecnologia.
- Parcerias com fornecedores e consultorias capazes de ajudar na jornada de arquitetura, implementação e governança.
Passos práticos para empresas que querem ser competitivas em 2026
Diante de tudo isso, o que uma organização pode começar a fazer hoje para não ficar para trás até 2026?
A partir das recomendações do estudo da IBM e da leitura das cinco tendências, alguns movimentos práticos se destacam:
- Mapear processos críticos onde IA agêntica gera mais valor.
Em vez de tentar “colocar IA em tudo”, comece pelos fluxos com maior impacto em receita, margem ou experiência do cliente. - Desenhar uma arquitetura de IA com soberania embutida.
Planeje desde cedo onde seus dados e modelos vão rodar, como será a governança, como evitar lock-in extremo e como provar conformidade a reguladores. - Criar uma estratégia clara de confiança em IA.
Isso inclui critérios de explicabilidade, processos de revisão de vieses, políticas de uso de dados e mecanismos de comunicação transparente com clientes e colaboradores. - Capacitar times para trabalhar com agentes de IA, não só com ferramentas de IA.
Treine colaboradores para interagir com agentes, supervisionar decisões, definir objetivos e interpretar recomendações. - Experimentar com rapidez, mas com disciplina.
Pilotos de IA agêntica devem ser desenhados desde o início com métricas de negócio, governança, compliance e potenciais caminhos de escalabilidade. - Construir e participar de ecossistemas.
A tendência apontada pela IBM em computação quântica – de que vantagem virá de colaboração em redes – também vale para IA: parcerias com provedores de nuvem, consultorias, startups e comunidades de código aberto podem acelerar a curva de aprendizado.
Conclusão: competitividade em 2026 será decidir com mais confiança, mais rápido
O estudo “5 tendências para 2026” da IBM deixa um recado inequívoco: competitividade, daqui para frente, não será apenas questão de ter dados ou modelos – será questão de como as empresas arquitetam ambientes de IA agêntica, soberania de IA e governança de confiança para tomar decisões em alta velocidade.
Com 75% dos executivos brasileiros esperando ver agentes de IA atuando de forma independente até 2026, e uma ampla maioria reconhecendo soberania e confiança como pilares estratégicos, o relógio competitivo já está correndo.
Empresas que tratarem IA como um recurso central de negócio – e não como acessório tecnológico – estarão melhor posicionadas para transformar volatilidade em vantagem.
Mais do que seguir uma “moda de IA”, a próxima fronteira é construir organizações capazes de operar com velocidade, controle e confiança em um mundo onde agentes de IA estarão presentes em praticamente todas as decisões relevantes.



